Comércio
Varejo segue ainda em expansão
Publicada em 30/1/2012 - Lia Nara Bau/Jornal Exclusivo
Suprijono Suharjoto/Fotolia.com

Ainda que em ritmo menor, crescimento do consumo deve se manter no ano
O consumo, em 2011, apresentou um lento crescimento. Apesar de alguns percalços no meio do caminho, o varejo cresceu cerca de 4% no ano passado. Seguindo essa tendência, o esperado é que o ano que começa tenha resultados positivos em termos de vendas.
O diretor de geonegócios do Ibope Inteligência, Antonio Carlos Ruótulo, fala que o varejo, em geral (excluindo automotivos e material de construção), fechou o ano de 2011 com um crescimento de 10,5%(valores nominais). O faturamento total foi de R$ 705 bilhões ao final de 2011 (10,5% a mais do que o fechamento de 2010). “Ou seja, houve um crescimento real, descontada a inflação, de aproximadamente 4%”, frisa.
Reinaldo Pereira, economista e coordenador de Serviços e Comércio do IBGE, aponta que 2011 foi um ano bem diferente de 2010. “O crescimento ficou um pouco aquém se compararmos com o ano anterior. Até o mês de outubro, tivemos uma variação de 6,7% em relação a 2010, e 2010 fechamos o ano com 10,9%”, afirma. O varejo registrou, em termos de volume de vendas, acréscimos de 4,3% sobre outubro de 2010, de 6,7% no acumulado dos dez primeiros meses do ano e de 7,3% no acumulado em 12 meses.
Pereira explica que, em 2010, viemos de uma recuperação da economia, pois ainda estava em curso a recuperação da crise de 2008. Esses dias prósperos de 2010, contudo, chamaram a atenção do governo para a inflação. “Com uma oferta de crédito boa em 2010, aumento de renda e estabilidade de emprego, a inflação deu sinais de começar a sair do controle”, lembra.
Assim, em dezembro de 2010 o governo tomou medidas macroprudenciais para inibir o crédito, por isso 2011 já começou diferente. “O efeito maior disso foi sentido no terceiro trimestre de 2011. Outubro teve variação zero, comparado a setembro, um dos níveis mais baixos de variação registrados”, salienta. O comércio varejista não apresentou variação em outubro na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal, tanto para o volume de vendas quanto para a receita nominal. Algumas atividades tiveram aumento de preços, como combustíveis. Também o setor de tecidos, vestuário de calçados registrou preços altos, acima da média da inflação.
Ruótulo acredita que este ano deva ser um pouco mais retraído do que foi 2011. “O governo está incentivando o consumo para fugir das consequências da crise financeira internacional, mas sempre haverá um reflexo. Não deve haver estagnação, mas um crescimento mais lento do consumo. O Natal passado já deu sinais de enfraquecimento. Os números não serão tão bons como se esperava”, adianta.
Embora o IBGE não faça projeções, Pereira arrisca analisar o cenário baseado em experiências passadas. Ele lembra que, na crise de 2008, o governo tomou medidas, como a redução do IPI, por exemplo, que estimularam o comércio e o mercado interno. “Agora, estão tentando fazer a mesma coisa novamente. Se deu certo no passado, espera-se que dê certo novamente. Isso pode trazer melhoras no comércio em 2012”, acredita.
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