Moda
O universo de Ronaldo Fraga
Publicada em 27/1/2012 - Nelson Batista Zimmer/Jornal Exclusivo
Agência Fotosite

Estilista aponta que o pecado do nosso tempo são produtos sem referência cultural
Um dos expoentes da moda brasileira, apaixonado por literatura, o estilista mineiro cita Carlos Drummond de Andrade e outros escritores com muita frequência. É dos livros que Ronaldo Fraga tira muito de sua inspiração para o trabalho de criação. Em recente visita a Porto Alegre/RS, o designer palestrou em nome do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e discutiu importante tema: identidade da moda brasileira.
País que sofre fortes influências da moda internacional, especialmente a europeia, o Brasil, na opinião de Ronaldo, é um infinito painel de possibilidades para quem cria. “Nasci no Brasil, acredito na cultura local e acredito em processos criativos com valor cultural. Acredito, também, em produtos com esse valor”, aponta.
Ronaldo é do tipo intrigante, acredita que a moda brasileira perdeu seu momento de discussão, pois passamos a seguir padrões internacionais desde quase o princípio. Hoje, vivemos em pleno momento de globalização, de unificação do mundo e qualquer coisa é permitida, em qualquer lugar. Para ele, a melhor saída é criar produtos pensados e desenvolvidos no Brasil, cercados de toda a atmosfera cultural que nos é permitida e oferecida. “A moda precisa de um olhar individual de quem cria! Moda como é feita até agora, acabou. Precisamos rever nossos bens de consumo”, avalia.
Enfático, Ronaldo faz questão de afirmar que “o pecado do nosso tempo são produtos sem referência cultural. Não importa de onde, mas o produto deve falar”, aponta o estilista que já desfilou 32 coleções em 17 anos de carreira. Música, arte, literatura, entre outras fontes, são responsáveis pelo sucesso da marca que leva seu nome. E o universo literário pode mesmo ser inspirador. Fraga destaca que Drummond, por exemplo, durante toda sua vida, usou somente quatro cores. “As respostas sobre o tempo de vestir alguma coisa, estão no próprio tempo”, destaca. Ele ainda afirma que para criar algo novo, é preciso inspiração em algo mais forte e palpável, como a cultura. “Não dá para inventar uma calça com três pernas e chamar isso de novo”, brinca.
Com relação às pesquisas internacionais de moda, aquelas generalizadas, Fraga acredita que elas não existam mais. O que existe hoje – e é assim que as grandes grifes trabalham - são olhares individuais de cada marca, sustentando os desejos, também individuais, de cada consumidor seu. “Cada vez mais, construo moda baseado em histórias fechadas”, enfatiza.
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