Comércio
Meninas em transformação no varejo
Publicada em 25/1/2012 - Lia Nara Bau/Jornal Exclusivo
Lunamarina/Fotolia.com

Ponto de venda deve atender novas consumidoras com atenção e variedade
Usar maquiagem, fazer escova no cabelo e as unhas é a rotina de muitas meninas de 10, 7, 5 anos de idade. Sim, você leu certo. Muitas garotas nessa faixa etária usam esmaltes nas unhas e não querem sair de casa sem um batom nos lábios. Expostas aos apelos da mídia e da sociedade, muitas crianças se veem transformadas em pequenos adultos. Mas a responsabilidade para minimizar este comportamento também – e principalmente – é da família, não estimulando tais atitudes, mas, ao contrário, incentivando valores e referências positivos.
As meninas sempre desejaram ser adultas. Desde pequenas, gostam de usar roupas e sapatos da mãe ou da irmã mais velha.A psicóloga do NAP (Núcleo de Atendimento Psicológico, em Novo Hamburgo/RS), Rogéria Leal Renz, afirma que o hábito das crianças de imitarem as vestimentas dos adultos vem ao longo da história, pois, se vermos retratos antigos de crianças, observamos que tinham a aparência de pequenos adultos. “O que nos chama a atenção, atualmente, é a demasiada atenção que as meninas, principalmente, estão dando para a aparência, a beleza exterior, parecendo que necessitam vestir as roupas de determinada grife para serem aceitas no seu grupo social”, salienta.
É exatamente quando essa vaidade torna-se excessiva que mora o perigo. Rogéria diz que deve-se preocupar quando essa “vaidade” começar a interferir no comportamento dessa criança em família ou em seu próprio grupo social. Se insistir sempre em sair muito arrumada, usando maquiagem constantemente ou roupas inadequadas à sua faixa etária, por exemplo. “Sabemos que a infância é um período primordial no desenvolvimento da estruturação psíquica da criança e que as brincadeiras, o faz de conta, a fantasia e a imaginação fazem parte desse contexto lúdico, tão relevante para a criança. Cabe ao adulto observar o comportamento dessa criança e, se tiver dúvidas, procurar a orientação necessária”, explica.
Muito mais do que adultos em miniatura
O varejo hoje oferece uma infinidade de produtos especialmente para as meninas, que desenvolvem sua vaidade cada vez mais cedo. Para o mestre em Ética, especialista em Gestão do Comportamento e autor de livros como ‘Fator Humano’, Luís Sérgio Lico (São Paulo/ SP), há prós e contras nessa situação. A primeira coisa que lhe chama a atenção é a diversidade de produtos e serviços disponíveis para este universo. São milhares de ofertas que contemplam mil possibilidades de socialização, educação, vestuário, interação e divertimento. “A criança nunca teve tanto espaço e poder de escolha como hoje. E isto a faz querer cada vez mais produtos, normalmente destinados a adultos. Fala-se, inclusive de um novo ‘marketing etário’, específico para auxiliar o lojista a entender estas demandas”, destaca.
Porém, Lico salienta que as crianças não podem ser vistas como adultos em miniatura ou apenas um nicho de mercado. Elas são decisoras, sim, e influenciam as compras, mas, sendo ainda incapazes de discernir a verdade da fantasia, quando frente à exposição da mídia ou aos arranjos em ponto de venda, devem ser protegidas em suas escolhas. “É provado que o desenvolvimento precoce de padrões massificados de consumo e estereótipos – como, por exemplo, a beleza ou a sensualidade – pode vir a causar distorções comportamentais futuras. No mínimo, traz frustrações e ansiedade”, destaca Lico.
Por outro lado, existem abordagens corretas e muitos produtos destinados ao público infantil que respeitam as características típicas da infância. “Esses produtos devem ser os preferidos pelos pais e também estarem conformes às normas vigentes”, frisa. Lico ressalta que não há nada de mal em adquirir um sapato novo, maquiagem ou um brinquedo, conforme a capacidade de consumo de cada um. Porém, a moderação é sempre indicada, pois as crianças têm a tendência de imitar os adultos em tudo e são influenciáveis.
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