Couro
"2011 foi um ano difícil para o setor"
Publicada em 24/1/2012 - Diego Rosinha/Jornal Exclusivo
Divulgação

Goerlich: expectativas de crescimento não foram atingidas
A avaliação é do presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB),Wolfgang Goerlich. Para o dirigente, que ainda acumula a experiência de ser presidente da International Council of Tanners (ITC), as dificuldades devem se arrastar por todo o ano de 2012. Os problemas tendem ser agravados pela crise internacional que tem assolado as principais economia mundiais.
Nesta entrevista exclusiva, o dirigente aponta os principais gargalos para o setor curtidor no Brasil, bem como caminhos para que sejam sanados. “A Associação do Comércio Exterior do Brasil, que no fim de 2010 projetou o superávit em nosso comércio exterior em US$ 26/27 bilhões, exatamente o valor que atingimos em 2011, está prevendo para 2012 uma redução do saldo comercial em 88%, para apenas US$ 3 bilhões”, ressalta.
Jornal Exclusivo - Como foi o ano de 2011 para a indústria do couro brasileira tanto em nível internacional como doméstico?
Wolfgang Goerlich - O ano de 2011 foi difícil para a indústria curtidora do Brasil. No mercado doméstico as nossas expectativas de crescimento não foram atingidas. Os nossos maiores clientes, a indústria de calçados e a de estofados, sofreram em cheio as consequências dos altos custos de produção no Brasil e do real supervalorizado, perdendo competitividade na exportação. Ao mesmo tempo, os sapatos e bolsas de couro no mercado interno perderam espaço para os materiais alternativos mais baratos. Ficou evidente que os 35 milhões de novos consumidores da classe C ainda não participam em maior escala do mercado dos manufaturados de couro. Importantes fabricantes brasileiros de calçados de couro deslocaram plantas de produção para países da América Central e até para a Índia onde os custos de produção são mais competitivos. Sem possibilidade de expandir as suas vendas no mercado doméstico, restou como alternativa a exportação onde os altos custos da produção e o câmbio comprometeram a rentabilidade do setor de forma perigosa.
Jornal Exclusivo - A crise que tem atingido com força o setor calçadista brasileiro tem se refletido de que forma no setor coureiro? Como tem sido a adaptação? Os curtumes devem apostar em outros segmentos de produtos? Quais são os segmentos mais indicados neste momento?
Wolfgang Goerlich - Naturalmente a crise no setor calçadista, como também na exportação do setor moveleiro, atingiu a nossa indústria de forma expressiva, reduzindo as nossas vendas no mercado doméstico. Felizmente já há anos a nossa indústria tem investido fortemente na produção de couros para móveis e automóveis e hoje, pelo menos em relação à exportação, a maioria dos nossos couros embarcados encontra o seu destino final no setor automotivo e moveleiro mundial. Enquanto o setor de estofados em termos globais se encontra numa crise maior do que o nosso setor de calçados, o setor automotivo continua relativamente forte e deve continuar como nossa meta principal. Também o setor aéreo com o crescimento das frotas internacionais deve absorver cada vez mais couro e em forma menor também o couro marítimo ganhará importância. O setor de moda, o mais exigente em termos de criatividade, também terá cada vez mais o nosso apoio.
Jornal Exclusivo - Quais são os principais problemas enfrentados atualmente pelo setor curtidor no Brasil e de que forma eles poderiam ser amenizados?
Wolfgang Goerlich - Os principais problemas que comprometem a nossa competitividade são: sobrecarga tributária, a não-devolução ou o atraso nas devoluções dos créditos, créditos escassos, juros altos, burocracia excessiva e todos os problemas decorridos da infraestrutura ineficiente do sistema rodoviário e portuário do nosso País. Para resolver são necessárias reformas reformas no sistema tributário e administrativo, créditos mais acessíveis, eliminando as entraves burocráticos e melhorias na infraestrutura.
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