Economia
Balança comercial teve superávit
Publicada em 3/1/2012 - Agência Estado
Agência Brasil

Números: Teixeira e Tatiana apresentam fechamento
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 29,79 bilhões em 2011. O resultado é o maior desde 2007, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. O saldo foi 47,8% superior ao consolidado em 2010. Apesar do resultado surpreendente, o governo mostrou que está no escuro em relação ao rumo da economia mundial em 2012 e, por isso, preferiu não definir uma meta para as exportações brasileiras, como costuma fazer todos os anos.
A justificativa dada pelo secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, foi a de que o cenário internacional está “muito complicado”. Para ilustrar a decisão, o secretário mencionou que existe uma “total diferenciação” das projeções para as exportações no mercado.
Como exemplo, citou que o Banco Central prevê expansão de 4,3% e que a indústria projeta alta de 7,4%. Já os exportadores preveemqueda de 7,4%. Entre os pontos negativos para a balança comercial, Teixeira disse que a maior preocupação é a guerra cambial. Ele também mencionou a expectativa de baixo crescimento dos EUA, da União Europeia e a menor expansão da China. Outro temor do secretário é com a escassez do crédito internacional.
Medidas de incentivo às exportações
Com a participação cada vez menor dos produtos manufaturados nas exportações brasileiras – fato realçado ontem após a divulgação dos números da balança comercial de 2011 –, o governo prepara um pacote para incentivar a venda de itens industrializados no exterior.
O anúncio das novas medidas deve acontecer até o fim de março. Com a promessa de um pacote, o governo espera bons resultados no volume das exportações em 2012, conforme declara o secretário executivo do MDIC, Alessandro Teixeira. O crédito para o exportador deverá ser o núcleo do pacote que será lançado, pois o governo está ciente de que as linhas de financiamento estão cada vez mais escassas e caras. Essa movimentação do governo tem uma explicação. A indústria identificou que nos últimos quatro anos a participação dos produtos manufaturados na balança comercial passou de 52% (em 2008) para 36,1% no ano passado.
POLÍTICA INDUSTRIAL - Para o diretor-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, se faz necessário uma política industrial voltada para o produto manufaturado, que crie medidas de incentivo à exportação. “Já faz tempo que a indústria sofre com a competição desleal, que afeta tanto a performace no mercado externo quanto no mercado doméstico”, disse.
Conforme dados da Abicalçados, o setor calçadista manteve saldo negativo na sua balança comercial de 27,8%, de janeiro a novembro deste ano. Este resultado foi devido à redução de 13% no faturamento das exportações e ao aumento de 40% no valor pago pelas importações. Nas exportações, de janeiro a novembro de 2011, a queda chegou a 13% no faturamento e a 21% no volume embarcado, comparado ao mesmo período de 2010.