Comércio
Jovens: compras mais antenadas
Publicada em 12/12/2011 - Lia Nara Bau/Jornal Exclusivo
Chlorophylle/Fotolia.com

Público teen brasileiro já é um dos maiores consumidores do mercado
Eles já estão crescidos demais para serem chamados de crianças, mas também são jovens demais para serem considerados adultos. O público jovem entre 12 e 19 anos é o segmento que move mais de 750 milhões de euros anuais no mundo. Os 'teens' brasileiros dessa faixa etária - 32 milhões, segundo o IBGE - gastam R$ 50,00 em média por semana, valor 10% menor que os consumidores com o mesmo perfil na Rússia e na China, por exemplo. Este é o resultado do TRU Study 2010, estudo anual da TNS Research International (São Paulo/SP), empresa especializada em pesquisa de mercado, que acontece em 24 países com 1,5 mil jovens das classes A, B, C e D.
O levantamento mostra que a principal fonte de renda de 20% dos entrevistados é o trabalho e a maioria ainda depende dos pais. Viver com os pais é a realidade de 52% dos jovens, sendo que 31% deles moram com a mãe e 3% com o pai. Meninos e meninas direcionam os gastos da mesada em roupas e acessórios. Os meninos gastam em média R$ 65 e as meninas R$ 69, podendo atingir R$ 87 nas classes A e B. Nas categorias de saúde e beleza, restaurantes 'fast food' e diversão, a média é de R$ 34 em gastos por mês.
Eles são consumistas em massa
As características comportamentais dos jovens refletemse no seu modo de consumir. O especialista em marketing e consumo e sócio-diretor da Tekoare Vending e Entretenimento Corporativo, Claudio Diogo (Curitiba/PR), define os 'teens' como imediatistas, simplistas, influenciáveis ao extremo, pois querem produtos que ‘a galera’ também consuma, e volúveis, pois conforme há mudanças da moda, acontece o efeito ‘manada’, ou seja, precisam seguir a moda do grupo a que pertencem. Quase 40% deles no Brasil já recebem mesada e gastam em três grandes grupos: roupas, guloseimas e jogos.
Conquistar essa galera no ponto de venda não é nada simples, pois podem mudar de ideia em um piscar de olhos. Diogo diz que as cores e os produtos utilizados por personagens na TV são a linha de maior sucesso hoje no varejo, tanto para crianças - personagens de desenhos - como para adolescentes - personagens de novelas e seriados. Mas ele alerta que também isso pode mudar no apertar do clique do controle remoto. Ou seja, o personagem saiu de cena, os clientes desaparecem.
O maior desafio, especialmente com esse público, é a fidelização. O especialista diz que se deve levar em conta que o tempo de uso dos produtos é muito curto hoje em dia - nota-se que um celular tem o ciclo de vida esperado entre 2 a 5 meses. “Então, é mais fácil recriar novas marcas, modelos e produtos, todos sob o mesmo guarda-chuva. Atrair este cliente com marcas e atrativos novos é a solução”, assegura. Influência
Diogo salienta que o público teen consome moda sob influência da massa. “Tire uma foto da saída de uma escola ou de um show do Justin Bieber, parece uma invasão de clones, todos vestidos iguais”, brinca. Ele lembra que o consumo pode ser influenciado já na pré-adolescência. “Nos Estados Unidos, as lojas Justice, de moda feminina, constroem o consumo 'teen' com suas tendências de moda e acessórios.
A garota que inicia o consumo de acessórios e vestuários pela Justice acaba consumindo num padrão parecido no futuro - e isso ainda não existe aqui no Brasil”, exemplifica. Para ele, no Brasil, ainda é muito incipiente o mercado teen e são poucas as pesquisas de varejo específicas a este público.
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