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Entrevista: Francisco Santos, da Couromoda

Publicada em 6/11/2011 - Mauro Moraes/Jornal Exclusivo      

Divulgação
Entrevista: Francisco Santos, da Couromoda
Santos: discussão do cenário internacional para o setor

A realização do Congresso Mundial do Calçado pela primeira vez fora da Europa foi possível graças ao empenho da Couromoda, por intermédio de seu fundador e presidente Francisco Santos. Ele sempre foi um defensor de realizar um evento desta grandeza no Brasil e, depois muitas negociações, conseguiu proporcionar ao país esta oportunidade única de se apresentar com um dos grandes 'players' do segmento calçadista em nível mundial.

Nesta entrevista ao Jornal Exclusivo, Santos fala sobre como se deu o processo para trazer congresso para nosso País, as expectativas para os dois dias de muitos debates e os diferenciais da indústria calçadista brasileira no comparativo com os principais concorrentes internacionais.

A Couromoda é organizadora e co-patrocinadora do evento e não tem medido esforços para proporcionar aos centenas de profissionais um encontro de alto nível e útil para todos os segmentos da cadeia produtiva e também para o varejo.

Segundo Santos, a intensificação do processo de concentração da produção de calçados na Ásia tem sido o assunto que mais tem despertado interesse do segmento. “Este, sem dúvida, é o tema prioritário no evento pois impacta em todos os segmentos. Dos mais de 20 bilhões de pares de calçados fabricados no mundo, cerca de 87% tem como origem países asiáticos, em especial a China. Do restante, 4% é fabricado no Brasil, 2% na Europa e o restante nos demais países e continentes. Essa discussão pode, inclusive, beneficiar o Brasil, uma vez que podemos captar parte deste produção”, detalha Santos.

O dirigente ainda ressalta a importância do congresso para o futuro do setor no Brasil. “O Congresso Mundial do Calçado é um marco e um evento político e empresarial que trará a inteligência do setor para a cidade do Rio”, conclui Santos.

Jornal Exclusivo - Qual é a importância da realização do congresso mundial do calçado no Brasil?

Francisco Santos - Trata-se de uma oportunidade única no País, ao longo de toda a sua história calçadista, de se apresentar como um dos principais players do setor em todo o mundo. A afluência de grandes líderes será muito boa e é a chance de o Brasil se consolidar na posição de maior produtor de calçados fora da Ásia. E como único país, fora os asiáticos, que se mostra com um longo e promissor futuro, pois temos tudo aqui, da matéria-prima à mão de obra especializada, passando pela distribuição geográfica da indústria em diversos polos calçadistas em todo o território nacional, o que se traduz em soluções em termos de competitividade para toda a espécie de demanda de produtos. O Congresso Mundial do Calçado é um marco e um evento político e empresarial que trará a inteligência do setor para a cidade do Rio.

Jornal Exclusivo - Como se deu este processo que culminou com a realização do congresso no Brasil?

Francisco Santos - Foi um processo que amadureceu ao longo dos anos. Nossa presença constante nos eventos internacionais e o bom relacionamento com entidades estrangeiras, em especial a Confederação Europeia da Indústria de Calçados (CEC) e com a Associação Nacional dos Calçadistas Italianos (Anci), fez com que a proposição de o Brasil sediar este congresso fosse aceita e bem-vinda. Além disso, uma conjunção de fatores econômicos e sociais, que tornaram o Brasil protagonista no mundo, habilitou o País a sediar este evento de relevância mundial.

Jornal Exclusivo - Quantas pessoas são esperadas nestes dois dias?

Francisco Santos - Já contamos com mais de 380 pessoas inscritas, de todos os polos calçadistas do Brasil e também do exterior. Mais de 160 pessoas esperadas virão de fora do Brasil. E mais de 26 nações estarão representadas por profissionais, sejam eles congressistas ou visitantes. É importante lembrar, ainda, que não serão aceitas inscrições nos dias do evento.

Jornal Exclusivo - O congresso terá uma ampla e diversificada pauta de assuntos. Quais os temas têm despertado maior interesse dos profissionais?

Francisco Santos - A maior preocupação e interesse de todos é em relação ao futuro que a indústria calçadista terá em nível mundial com esta grande concentração da produção na Ásia. Este, sem dúvida, é o tema prioritário no evento pois impacta em todos os segmentos. Dos mais de 20 bilhões de pares de calçados fabricados no mundo, cerca de 87% tem como origem países asiáticos, em especial a China. Do restante, 4% é fabricado no Brasil, 2% na Europa e o restante nos demais países e continentes. Essa discussão pode, inclusive, beneficiar o Brasil, uma vez que podemos captar parte deste produção, principalmente da Europa, na medida em que temos diferenciais competitivos únicos, como logística eficiente e ágil, matéria-prima em todos os estágios, profissionais competentes e uma impressionante capacidade de desenvolver com rapidez uma moda de acordo com as necessidades de qualquer parceiro comercial. Outros temas relevantes e que tem se destacado nos contatos são os que se referem às questões de proteção comercial tarifária e a parte social e trabalhista da indústria calçadista mundial. Além do mais, a presença dos maiores concorrentes do Brasil, que são os fabricantes chineses, vietnamitas e da Ásia de uma forma geral, também vai oportunizar a eles apresentarem suas potencialidades e propor parcerias aqui. Teremos a tradução simultânea do português para o mandarim e viceversa para oportunizar o diálogo diálogo entre todas as partes.

Jornal Exclusivo - Além da indústria, o congresso também contempla o varejo calçadista, certo?

Francisco Santos - O varejo vai estar muito bem representado. Alguns dos maiores varejistas da Europa, Ásia e América estarão presentes. Líderes nacionais no comércio de calçados, como Anderson Birman (Arezzo) e Carlos Ajita, presidente da Associação Brasileira dos Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), também contribuirão com suas experiências no congresso.

Jornal Exclusivo - O setor conhece bem o padrão de excelência que a Couromoda imprime em seus eventos. Qual a importância disso para a imagem imagem que os estrangeiros levarão do Brasil?

Francisco Santos - Nós vamos nos empenhar para dar uma melhor imagem do Brasil para os que vierem do exterior. Por isso, contratamos uma equipe de profissionais que tem se esmerado para fazer o melhor trabalho. O comando do congresso é da Confederação Europeia do Calçado, através de seu presidente e amigo Vito Artioli. As providências estão sendo tomadas para que tudo corra bem nas plenárias informativas informativas com excelente conteúdo e nas oportunidades organizadas para o neworking, potencializando os relacionamentos e as trocas de experiências. Como se trata de um congresso de pessoas que se conhecem, creio que será um evento fácil de gerir.

Jornal Exclusivo - Além da participação vital da Couromoda, quem mais contribuiu de modo decisivo para o congresso?

Francisco Santos - É importante ressaltar que a Couromoda fica feliz e orgulhosa de participar, organizar e co-patrocinar um congresso que teve grande apoio das agências ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), através da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Também foram valiosos os apoios das feiras Micam (Itália), GDS (Alemanha), Riva de Garda (Itália) e Francal (Brasil).

Jornal Exclusivo - Qual será o principal legado que o congresso deixará?

Francisco Santos - Quem estiver presente no congresso vai sair com uma orientação muito bem articulada de como se encaminha o setor e de como os empresários devem conduzir seus investimentos e ações nos próximos anos. Acreditamos que é do debate que nasce a luz e por isso o congresso deve contribuir para a boa performance da indústria calçadista nacional. Como patrocinadores do Congresso Mundial do Calçado, nós da Couromoda temos certeza de estar fazendo um bom investimento neste evento que deve gerar resultados positivos ao setor e ao Brasil de uma maneira geral.


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