Couro
Couros: perdas com apagão nos portos
Publicada em 1/9/2010 - Redação Exclusivo On Line
Divulgação

A indústria curtidora brasileira depende da exportação para escoar mais de 50% da sua produção.
"O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) denuncia a ocorrência cada vez mais frequente de cancelamentos de navios destinados aos principais portos brasileiros, causando enormes prejuízos às exportações de couro", afirma o presidente da entidade, alerta Wolfgang Goerlich. Segundo ele, os armadores responsabilizam as condições precárias e a superlotação dos portos pelo problema, apontando os altos custos e a demora nos portos, que, muitas vezes, não oferecem mínimas condições para atender aos navios nos prazos previstos, razão principal dos desvios das embarcações e os cancelamentos.
Goerlich afirma que as empresas de processamento e produção de couro associadas ao CICB vêm sofrendo prejuízos com esta situação, "que é muito grave nos portos do nordeste, com destaque para Salvador/BA, mas, também, em Santos/SP, Paranaguá/PR e Rio Grande/RS. O presidente do CICB afirma que os cancelamentos chegam a 20% das já escassas escalas e os prejuízos por falta de embarque nas datas estabelecidas nos contratos provocam prejuízos diretos estimados entre US$ 150 e 200 milhões, além das perdas de confiabilidade perante os clientes no exterior.
A indústria curtidora brasileira, responsável por cinqüenta mil empregos diretos, depende da exportação para escoar mais de 50% da sua produção e, apesar de todas as dificuldades, contribuiu significativos 11% para a balança comercial brasileira nos primeiros sete meses de 2010. “A nossa indústria mobilizou todos os recursos possíveis e desenvolve os maiores esforços para recuperar e aumentar as nossas exportações depois da crise de 2008/09, e, apesar da taxa de câmbio desfavorável e do alto custo Brasil, tem alcançado resultados extraordinários”, diz o executivo. Na sua opinião, constatar agora que grande parte do trabalho foi perdida pelas deficiências na hora do embarque causa profunda decepção.
Goerlich avalia que, caso o Brasil dispusesse de uma infra-estrutura adequada, aliada a uma estrutura portuária moderna, em vez de exportar US$ 1,7 bilhão (previsão para 2010), poderia atingir US$ 1,9 bilhão. Diante da situação portuária, o CICB encaminhou documento a todas as esferas governamentais para alertar sobre o problema e pedindo soluções urgentes.