Couro
Indicação de procedência valoriza o couro da região
Publicada em 20/8/2010 - Redação Exclusivo On Line
Diego Rosinha/Jornal Exclusivo

O coordenador do executivo Álvaro Flores falou sobre o projeto.
Desde maio de 2009 os curtumes gaúchos do Vale do Sinos contam com uma importante ferramenta de marketing para agregar ainda mais valor ao couro acabado produzido na região. Os couros gaúchos entraram para a história recebendo a primeira outorga de Indicação de Procedência (IP) para um produto de origem industrial no País e a primeira relacionada a couro e seus produtos manufaturados no mundo. A iniciativa que certifica o couro produzido no Vale do Sinos foi estruturada pela Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul) e teve sua outorga concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O projeto, iniciado ainda em 2004, com a organização dos curtumes, foi apresentado para empresários em evento realizado na última quinta-feira, dia 19, na Fenac, em Novo Hamburgo/RS. Todas as empresas que acabam e utilizam este couro acabado nos 44 municípios que fazem parte da área geográfica definida no programa - região do Vale do Sinos e parte do Vale do Caí - podem entrar no projeto visando a utilização do selo de IP.
O presidente da AICSul, Francisco Gomes, abriu os trabalhos ressaltando a importância do projeto para agregar valor ao couro produzido na região, porém disse ser fundamental o apoio dos fabricantes de calçados, artefatos e acessórios que utilizam o couro acabado que contenha o selo para dar ainda mais poder de marketing à iniciativa. “Precisamos que toda a cadeia participe de forma ativa para levar esse conceito diferencial até o consumidor final”, comentou.
A coordenadora de Indicações Geográficas do Inpi, Lúcia Regina Fernandes, explicou como funciona o mecanismo, ressaltando que o Rio Grande do Sul possui três indicações das seis outorgadas em todo o Brasil. "É um motivo de orgulho, né?", questionou. Lúcia Regina apontou o fato de que a IP concedida ao couro acabado da região foi fruto do casamento das culturas alemã e gaúcha, unindo a tradição pecuarista do Estado com a habilidade artesanal dos imigrantes alemães que colonizaram as localidades do Vale do Sinos em meados do século XIX. “A indicação busca disseminar a cultura da propriedade intelectual no Brasil que, infelizmente, ainda está bem aquém do ideal", disse. Apesar desse fato, o Brasil é um dos países líderes nos pedidos para IP, com 33, segundo dados do próprio Inpi. O País fica bem à frente de países como Itália, com 9 e Portugal, com 3. Só não possui mais outorgas concedidas por causa do corpo técnico reduzido do Inpi para esses casos, que é de somente duas pessoas.
Segundo o coordenador executivo do projeto, Álvaro Flores, os curtumes que elaboram couros com a Indicação atendem a uma série de requisitos quanto às matérias-primas utilizadas, processo produtivo, adequação às leis ambientais e questões sociais, e de qualidade dos produtos. “Já os transformadores que utilizam estes couros poderão estampar em seus produtos o selo da IP, o que valoriza os produtos perante o consumidor final”, explicou. A rigorosidade do programa fez com que, das sete empresas engajadas no mesmo, apenas duas tenham autorização para a utilização do selo em seus produtos, número que tende a aumentar nos próximos anos. As auditorias para verificação dos cumprimentos dos requisitos são realizadas pelo Centro Tecnológico do Couro/Senai, em Estância Velha/RS.
O que é Indicação de Procedência?
A IP indica a localidade onde determinado tipo de produto é produzido. Para receber a certificação o produto precisa conter diferenciais qualitativos. Exemplos de IP famosos: Champagne e vinho Bordeaux (França), Vinho do Porto (Portugal), entres tantos outros.
Como aderir ao Programa?
Empresas interessadas em fazer parte do projeto devem contatar a AICSul pelo telefone (51) 3273-9100