Comércio
Mercado de luxo no Brasil deve crescer em 2010
Publicada em 3/8/2010 - Redação Exclusivo On Line

Pesquisa mostra que segmento tem potencial para faturar US$ 7,59 bilhões
Com um forte crescimento em 2009, o mercado brasileiro focado em produtos de luxo parece tomar fôlego para fazer de 2010 um ano de bons resultados. O setor, que faturou US$ 6,23 bilhões em 2009 - crescimento de 4% (dólar) e 12% (real) em relação ao ano anterior - deve ampliar seu faturamento em 22%, alcançando o montante de US$ 7,59 bilhões em, faturamento. A informação é do estudo 'O mercado do luxo no Brasil', iniciativa conjunta da MCF Consultoria & Conhecimento e GfK Brasil.
A pesquisa, que avalia o desempenho do setor no Brasil e mensura suas expectativas de investimento, foi realizada entre janeiro e maio de 2010 considerando uma mostra de 283 empresas que atuam no segmento de 'luxo' ou 'premium' 'no Brasil. O estudo também contemplou o consumidor deste estilo de vida e mapeou as preferências e os gostos de 344 consumidores no País.
Os investimentos no setor cresceram no ano passado, saltando dos US$ 950 milhões alcançados em 2008 para o US$1,24 bilhão em 2009. No ano de 2010, mesmo com a previsão de um pequeno decréscimo no valor dos investimentos no setor - que passará, segundo a pesquisa, para US$1,21 bilhão -, o mercado de luxo se mostra muito otimista com a previsão do crescimento acentuado no faturamento.
Para o diretor de Atendimento ao Cliente e Novos Negócios da GfK Brasil, Antonio Perrella, enquanto uma pequena fatia do mercado (3%) ainda acredita que os negócios serão muito afetados pela crise, 67% preveem que não haverá impacto algum. “E esta avaliação positiva em relação à crise vai além. Perguntados sobre o restabelecimento, 79% dos entrevistados afirmaram acreditar na recuperação do mercado após a crise e, destes, 66% disseram acreditar nesta recuperação já em 2010”, ressalta.
Em relação ao futuro, os projetos mais citados foram os de expansão do mercado-alvo (33%), fortalecimento da imagem/marca (30%), abertura de lojas próprias (20%) e gestão de relacionamento com o cliente (9%). Dentre os empresários que planejam investir em expansão, 86% pretendem fazê-lo aumentando o número de lojas próprias, 50% aumentando a participação em multimarcas e 7% em quiosques.
Na avaliação das empresas, excluindo São Paulo e Rio de Janeiro, as cidades mais promissoras para a expansão do mercado do luxo são Brasília (53%), Porto Alegre (7%), Curitiba (7%), Salvador (6%), Recife (4%), Belo Horizonte (4%) e Ribeirão Preto (3%). Dos negócios estudados, a maior parte atua no segmento do varejo (61%), seguida por serviços (24%) e produção/indústria (15%). Quanto à atuação específica, 26% são do ramo de moda, seguidas por calçados (19%), confecção/vestuário (18%) e perfumaria (17%).
VALORES - Em 2009, o ticket médio de compra por cliente diminuiu em 25% em relação ao ano anterior, caindo de R$3.454,00, para R$2.726,00, e isso mesmo com a movimentação constante das empresas para manter o interesse de seus clientes. Para o presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, Carlos Ferreirinha, apesar do forte impacto da crise de 2008, o mercado segue em crescimento acelerado. Já neste ano de 2010, o setor prevê com forte otimismo uma taxa de crescimento de 22%, garantindo a recuperação da atividade em patamares de resultados antes de 2008.
“A crise reduziu o valor do ticket médio, mas nada que gerasse uma preocupação exacerbada para os próximos anos. Haverá um ciclo de crescimento vigoroso novamente. O consumidor demonstra o mesmo tipo de atitude positiva em relação ao consumo de Luxo e, inclusive, em relação a sua percepção da atividade. Os consumidores brasileiros se destacam pelo comportamento jovem de consumo e demandam de forma exponencial o relacionamento diferenciado, fazendo com que investimentos em eventos e comunicação sejam predominantes, e pontos de venda e relacionamento físicos aumentarão e se expandirão”, explica Ferreirinha.