Indústria
Seminário aponta rumos em design e inovação
Publicada em 19/7/2010 - Cristofer de Mattos/Exclusivo On Line

A pesquisadora Dorotéia Baduy Pires apontou a importância de pensar o design como estratégia
O polo calçadista do Vale do Paranhana, no Rio Grande do Sul, recebeu na última sexta-feira (16 de julho), o 5º Seminário Caminhos Futuros para o Calçado no Paranhana. O evento, realizado no Centro Municipal de Cultura de Três Coroas, foi promovido pelo Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes Para Calçados de Três Coroas em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Empresários, profissionais do setor coureiro-calçadista e estudantes acompanharam duas palestras.
Em 'Design - Inovação e Desenvolvimento de Calçados', a designer, professora e especialista em estudos de design de moda, Dorotéia Baduy Pires, apontou a importância de pensar o design como estratégia dentro das empresas, e não como uma técnica. Já em 'Motivando Todos para Novos Resultados', o conferencista, escritor e empresário, Gilberto Wiesel, destacou a importância da motivação para a obtenção de resultados nas indústrias.
Dorotéia destacou que é preciso perceber o design como uma questão de cultura, não como uma ferramenta de desenvolvimento de calçados. Segundo ela, todas as questões que envolvem, por exemplo, arquitetura, artes e gastronomia, entre outras, são variáveis que interferem na concepção de cultura dos povos e, consequentemente, de suas produções. Por isso, ela conclamou os empresários a virarem as costas para as referências da Europa e mirarem suas atenções justamente nas realidades mais próximas. “Não é possível inovar se copiarmos e tivermos medo de assumir nossa cultura”, frisa.
De acordo com ela, o mundo, em geral, espera mais do Brasil em termos de inovação. O País deixou de ser reconhecido tão somente por sua cultura exótica e passou a ser desejado por valores intangíveis, como alegria, exuberância visual e capacidade de conviver com mistura de raças. Para tanto, é preciso superar a fase do “Made in” e explorar o “Design in”. Ela destacou, também, um recente estudo europeu que aponta a qualidade dos calçados brasileiros, porém ressalta que as produções seguem o padrão italiano, sem ser propriamente o reconhecido “Made in Italy”, que acresce em cerca de 30% o custo final do produto somente com esse carimbo. “O mundo está cansado disso e não é isso que as tendências estão mostrando. Os consumidores querem produtos com características de suas procedências e que comuniquem algo”, declara.
MOTIVAÇÃO - Já Gilberto Wiesel, apontou a necessidade dos empresários explorarem a simplicidade. Muitas vezes, se busca soluções pirotécnicas, quando as questões podem ser resolvidas através de alternativas simples. Ao mesmo tempo, seguir caminhos mais fáceis, a exemplo da concorrência, pode tornar a inovação complicada. Para atender os novos padrões de consumo, que apontam para produtos que carreguem sentimentos. “As pessoas querem coisas novas. Os clientes não compram mais produtos, compram emoções e o que está por trás do produto”, frisa.
Para alcançar isso, Wiesel destaca que é importante os empresários se livrarem dos medos, da insegurança, de crenças negativas e dos “urubus de plantão”, os negativistas à toda inovação. “Quem não muda está fora da realidade. É preciso estar em constante reciclagem e pronto para encontrar novas formas de realizar aquilo que se está fazendo. Não esteja na média, não faça pela metade, se não alguém fará”, frisa. Por fim, o conferencista frisa que as relações com os clientes mudaram e as empresas ainda insistem vender como há 50 anos atrás.