Indústria
Calçadistas avaliam momento exportador
Publicada em 7/7/2010 - Lia Nara Bau, de São Paulo/Exclusivo On Line
Inezio Machado

Calçadistas comemoram números do primeiro semestre e projetam bons negócios para o período
O mês de abril confirmou a retomada, de forma vigorosa, das exportações brasileiras de couros e calçados. No quarto mês do ano, os fabricantes de sapatos também registraram incremento em seus negócios internacionais, ainda que mais tímidos dos que os obtidos pelos curtumes. Somente em abril, as exportações do segmento atingiram o valor de US$ 98 milhões, um incremento da ordem de 17% se comparado ao registrado no mesmo período de 2009, quando as vendas externas atingiram o montante de US$ 84 milhões. No acumulado do quadrimestre, a alta é de 11%. Nos primeiros quatro meses de 2009 as exportações de calçados ficaram em US$ 469 milhões. Já em 2010, o valor chegou a US$ 521 milhões.
É este clima de retomada que toma conta da maioria dos exportadores presentes na 42ª Francal, feira de calçados e acessórios que acontece em São Paulo até quinta-feira (8 de julho). O gerente de exportação da Stépahnie Classic, marca da empresa Q-Sonho (Três Coroas/RS), Fábio Spohr, explica que, de 2008 para 2009, as exportações da empresa diminuíram 30% em volume. Este ano, a recuperação já representa 10%. "Neste primeiro semestre melhorou bastante para nós, que tivemos dificuldades, no ano passado, em mercados como Europa e Estados Unidos, onde ocorreu o auge da crise", explica. O continente europeu é o destino de 90% das exportações da empresa.
Como o mercado já se mostra otimista, Spohr espera um incremento ainda maior para o segundo semestre de 2010, embora ainda longe dos valores obtidos em 2007 e 2008, época anterior à recessão. Um dos motivadores do gerente é a participação em feiras internacionais pois, segundo ele, os compradores se mostram interessados e as vendas tendem a aumentar. "Esse é o nosso momento, pois muitos fabricantes se voltaram para o mercado interno, com a crise, e agora a nossa situação está mais confortável perante os exportadores, não precisamos 'dar' o nosso produto", salienta.
CAUTELA - Com uma visão mais ponderada do momento atual das vendas externas, o diretor comercial da Kildare (Novo Hamburgo/RS), Fernando Alano, afirma que o mercado não está muito diferente de 2009. Ele salienta que na Europa a crise permanece e na América Latina não houve melhoras. "Na Argentina, que é um 'player' especial, teve inclusive queda nos negócios", frisa. Aliado ao câmbio, que não teve modificações significativas, o executivi acredita que o cenário não se modificou. "Porém, com o bom momento que vive o Brasil, é natural que todos voltem o seus olhos para cá. Não é que não estamos otimistas, estamos apenas realistas", sublinha.
Segundo Alano, o período de vacas magras ainda está longe de acabar, no entanto ele acredita que os bons ventos irão soprar novamente. A única modificação feita pela marca foi, segundo ele, que agora todos os produtos têm, na sola, a numeração brasileira, a europeia e a do Mercosul. "Foi uma customização que fizemos para atender a qualquer comprador", diz.
INVESTIMENTO - O gerente de exportação da Calçados Aniger (Campo Bom/RS), que comercializa as marcas Okean e Petite Jolie, Rômulo Vidal, afirma, contudo, que sente uma retomada muito forte das exportações neste primeiro semestre. Com a marca Okean exportando há três temporadas e a Petit Jolie desde janeiro, ele ressalta que a empresa está investindo muito em estrutura para exportar mais. "As vendas da Petite Jolie são de um volume que ajuda a manter o quadro funcional da empresa em momentos em que o mercado interno não supre mais a demanda", aponta.
Atualmente, as vendas para o mercado externo representam 10% da produção das marcas, e a pretensão é triplicar este volume até o primeiro semestre de 2011. "Tivemos que adequar os preços, pois o câmbio oscilou muito", afirma Vidal. Ele salienta, contudo, que o mercado está importando e que estão com preços competitivos. O gerente aponta que, no primeiro dia da Francal, já realizou muitos contatos com importadores. "Recebemos visitante até do Líbano, o que mostra que novos mercados estão surgindo", conclui.