A professora do Centro Tecnológico do Calçado do Senai de Novo Hamburgo/RS, Mônica Haisser, avalia que o investimento de se projetar um showroom de vendas, mesmo para o empresário de pequeno porte, vale a pena, pois o retorno é certo. “Costumamos ver empresas menores onde o proprietário faz tudo, desde cuidar da produção até o marketing. Isso não é adequado, pois ele acaba ficando sem foco em nada”, aponta. Segundo ela, o pequeno empresário que almeja sucesso comercial deve se desfazer desse estereótipo e investir em setores estratégicos, como a imagem do produto e da empresa. “Se você não tem capital para promover grandes showrooms, faça um menor, contratando um bom profissional. Você vai ver que ele faz mágica e o retorno é bem rápido”, aconselha a profissional. Sobre o local e tamanho da exposição, ela diz que é indiferente. O mais importante é o visual criado. Às vezes, segundo Mônica, se vê showrooms grandes onde o calçado mais legal está escondido no meio dos outros, enquanto outros podem ser pequenos e bem eficazes, destacando os produtos certos. “Vivemos um novo minimalismo, onde o mínimo pode ser o máximo. Temos que criar uma cultura clean”, conclui Mônica.
Leia também: 'Showroom para dar um 'show' em vendas'Para o consultor de marketing do Sebrae/RS, Marco Antônio Gallo, o investimento é o que menos conta para organização do showroom. “Com dinheiro tudo parece muito mais fácil, mas grandes empresas também podem investir e fazer showrooms ineficientes. O mais importante é ter criatividade e originalidade”, diz. Segundo ele, partindo desse conceito, o empresário pode criar um espaço temático que evidencie o produto e, ao mesmo tempo, encante e fidelize o varejista. “Nessa Copa do Mundo, muitos empresários deixaram o fato passar batido. Poderiam ter utilizado o tema para showrooms. Mas o que ele pode fazer agora é já começar a planejar o que irá fazer em 2014, dedicando 30 minutos por dia desde já para pensar no evento”, explica o consultor.
Para Gallo, marketing é justamente a arte de criar um ambiente propício de encantamento para o cliente, seja ele o consumidor final ou o varejista, como é o caso da indústria. Isso pode ser feito de formas variadas, desde a utilização do humor até degustação, mas sempre utilizando o tema da exposição como foco. “Se a indústria vende tênis para esportes como basquete ou alpinismo, pode colocar um cesto de basquete ou uma parede para escaladas. Isso não é caro e pode trazer resultados excelentes”, acrescenta o consultor, deixando a dica também de colocar um carro dentro do espaço, deixando um ambiente mais rústico, dependendo do conceito e público-alvo da indústria. “Se o seu target for as classes C e D não precisa ser tão sofisticado”, afirma.
A consultora de moda Cyntia Zaninari (São Paulo/SP) ressalta, por sua vez, o fato de que, entre as mídias de divulgação, o showroom é uma das mais em conta. “Você só irá pagar mais caro se tiver deslocamento ou locação de espaço. Na própria empresa se pode utilizar os funcionários e contratar alguns modelos, que não são caros”, comenta a consultora, enfatizando que o que vale no planejamento do evento é o bom gosto e não somente o capital investido.
Sobre profissionais, ele diz que podem ser utilizados os próprios recursos humanos da empresa, afinal, “bom senso não se aluga”. A empresa de pequeno porte também pode recorrer a artifícios mais baratos, como espelhos e painéis que chamem atenção do consumidor. “Por que os antiquários vendem produtos antigos, às vezes até com cupim, por altos valores? Porque eles transformam em arte o que, isoladamente, não é”, exemplifica Gallo, ressaltando que o sucesso de um showroom não vai ocorrer “por osmose e precisa de um plano de negócios muito bem elaborado” e que isso não depende de grandes recursos financeiros. “O empresário que vai se aproveitar dessa oportunidade deve se fazer três perguntas: quem são os meus clientes? O quê eu vou vender (marca, conceito ou produto) e quais os benefícios vou conferir ao consumidor - seja ele varejista ou final?