Economia
Alta dos juros é criticada pelo setor calçadista
Publicada em 25/6/2010 - Diego Rosinha/Jornal Exclusivo

Líderes empresariais afirmam que percentual é elevado
A segunda alta seguida na taxa de juros básicos da Selic,em 0,75 ponto percentual - de 9,5% a.a para 10,25% a.a, no dia 9 de junho - , já provocou reações adversas no mercado coureiro-calçadista. Dirigentes criticam as altas taxas de juros alegando que as mesmas encarecem o custo Brasil e prejudicam a competitividade das indústrias brasileiras no mercado global. Oargumento utilizado pelo Banco Central (BC) para aelevação foi o de conter a inflação.
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Luis Amaral, “entre os países considerados de baixo risco de investimentos, o Brasil é o que tem uma das maiores taxas de juros”. Segundo ele,amedida é prejudicial ao setor, principalmente, na competitividade no mercado externo. “Estamos concorrendo com países que pagam menos da metade dos juros que pagamos anualmente”, acrescenta. “Acredito que o governo tem outras maneiras de frear a inflação, que foi dada comoagrande motivadora para esse aumento. Não imagino como um custo elevado para o país pode ser benéfico”, reforça Amaral, ressaltando que o mercado iria se regular automaticamente com o aumento da demanda e a pressão por reajustes de preços. “No mundo todo não se utiliza mais esse tipo de fórmula para conter a inflação”, conclui.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, em primeiro lugar, qualquer alta de juros sempre terá um impacto negativo no preço de venda, mas opior éoaumentodocusto de financiamento, um ônus para o setor industrial em geral. “O BC tem usado deste artifício (aumento da taxa Selic) como mecanismo de controle da economia, tanto no fator câmbio como nos juros. Mas nós, da Abicalçados, achamos que existem outras formas de evitar a aceleração da demanda e, consequentemente, a inflação’’, comenta. Segundo ele, a alternativa mais viável para se ter controle sobre a inflação, mas sem o ônus de encarecer o crédito, é o depósito compulsório. “Basta enxugar o mercado”, sublinha Klein.
Fazendo coro com os colegas setoriais, Francisco Gomes, presidente da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), avalia que os juros já estavam altos antes do aumento, ressaltando que a inflação atingiu determinado setores e não a economia em geral. “Nós, do couro, tivemos uma deflação”, aponta. A queda nos preços do couro, segundo ele, não foi recuperada, mesmo com o reaquecimento da economia mundial depois da crise enfrentada até o segundo semestre de 2009. Para o dirigente, é injusto o governo onerar ainda mais o setor produtivo como forma de controle inflacionário. “O governo gasta mais do que pode, aumentando a dívida interna, e isso recai no setor produtivo que sofre”, lamenta Gomes.