Couro
Preço do cromo está assustando curtidores
Publicada em 7/6/2010 - Diego Rosinha/Jornal Exclusivo

Problema, de acordo com empresários do segmento, é ocasionado pelo aquecimento do mercado
Uma dificuldade levantada na última reunião do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) - realizada durante a 34ª Fimec, ocorrida em Novo Hamburgo/RS, entre os dias 13 e 16 de abril - , foi a questão do alto preço do metal cromo. Curtidores apontam que o mercado está desabastecido e que a produção de cromo está na mão de poucas empresas. Especialistas apontam que a alta se deve ao aquecimento do mercado mundial depois da crise enfrentada até fim do primeiro semestre de 2009. Por outro lado, a recessão que inicia na Europa pode baixar os valores. A ironia é que o preço mais baixo pode não ser vantajoso, visto a queda na demanda que pode ocorrer ainda no segundo semestre deste ano.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Curtimento de Couros e Peles do Mato Grosso (Sincurt), Evandro Durli, ressalta o fato das altas taxas de consumo impulsionadas pelo bom momento da economia mundial, principalmente da China, país que vem crescendo cerca de 11% ao ano. "A demanda por cromo está aumentando, principalmente na construção civil. Esse fato está fazendo com que falte o produto no mercado e os preços fiquem inflacionados'', avalia Durli, ponderando que, por outro lado, os preços devem baixar com a recessão iniciada na Europa e também devido às medidas contenciosas de crescimento adotadas por países chaves do mercado mundial, como o Brasil e a própria China. "A tendência é que freando o consumo o preço volte aos patamares anteriores'', projeta o dirigente. "Acho que aumentar mais não vai. O preço do cromo chegou ao limite'', opina.
Para o dirigente, o fato traz uma curiosa ironia, pois mesmo com o preço baixo do cromo os coureiros não teriam mais o mercado aquecido que tem atualmente. Durli, que também é diretor da Durli Couros (Curitiba/PR), salienta que os preços dispararam depois da 24ª Asia Pacific Leather Fair (APLF), ocorrida em Hong Kong, no fim de março. O dirigente avalia que, além do aquecimento do mercado mundial, o monopólio e a falência de plantas por questões ambientais também ajudaram à inflacionar o preço do metal. "Além disso, os rumores de aumento do valor provocaram uma corrida dos curtidores para comprar cromo visando estocagem, o que acabou aumentando o valor do mesmo'', acrescenta.
Segundo Durli, dentre as alternativas para o fato, estão curtimentos alternativos, vegetais e isentos de cromo. Porém esses, sublinha, são mais caros. "Temos a questão ecológica, mas ninguém está disposto a pagar mais por isso'', aponta. A sua empresa, como alternativa, tem optado por comercializar peles pré-curtidas e wet white (curtimento sem cromo). O Mato Grosso é o estado com maior percentual de abate no Brasil, registrando cerca de 14 mil abates diários.
FATOR CHINA - Um dos diretores da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul) e também diretor do Curtume Krumenauer, Flávio Krumenauer, avalia que o grande provocador da alta do preço é o fator China, país que consome metade do cimento mundial e cerca de 1/3 do ferro que circula no mercado. "O mercado chinês está muito aquecido, principalmente na construção civil que usa muito cromo'', aponta. Krumenauer não vê soluções a curto prazo, visto a junção dos efeitos com o monopólio das empresas fornecedoras do metal.
Para ele, enquanto o Brasil ver a China como um país consumidor de commodities e não proteger seu mercado, a situação vai continuar ruim. Krumenauer salienta que a solução só virá se o governo brasileiro desonerar as indústrias e investir em logística. Como alternativas ao curtimento de cromo, o dirigente avalia que estão sendo realizados banhos à base de taninos, o que encarece o produto, além de também sofrer com o monopólio.
FOCO - O consultor de empresas de couros e carnes, Hélio Mendes, ressalta o fato da discussão acerca do cromo ter mudado de foco no últimos anos. "Tempos atrás se falava que o cromo era prejudicial à saúde e à natureza. Especialistas provaram que, se utilizado da forma correta, não existe o risco. Agora o problema é o preço'', comenta. Para ele, os preços tendem a baixar com os principais mercados entrando em declínio por causa da recessão europeia.
"A baixa demanda internacional vai acabar baixando os preços'', prevê. O consultor avalia que, mesmo com as exportações brasileiras de couro em ascensão, o fato não tem se repetido o impacto no bolso. "Vamos exportar, em todo ano de 2010, pouco mais da metade do exportado em 2007, que chegou à mais de US$ 2 bilhões'', conclui Mendes.