Comércio
Oscar Schmidt: trabalho focado em resultados
Publicada em 20/5/2010 - Juliana Berwig/Jornal Exclusivo
Divulgação

Disciplina é a coisa mais importante da vida
Com 2,04 metros de altura e voz firme, Oscar Schmidt é um sujeito que impressiona. E não apenas por conta de seus atributos físicos, mas por sua postura segura, que junto com uma bem sucedida experiência nas quadras lhe confere credibilidade para falar sobre determinação e liderança. Como ídolo de uma geração, o ex-jogador de basquete agora se dedica a falar sobre estas qualidades tão nobres à plateias lotadas formadas por profissionais das mais diversas áreas, especialmente as ligadas ao competitivo mundo dos negócios. Para quem não consegue entender a ligação entre estes universos aparentemente tão distintos, basta ouvir o dircurso do campeão, que recordista mundial de pontuação na modalidade. "As chances são poucas na vida, mas muito poucas. Se você estiver preparado, você pega a oportunidade. Se não estiver, o bonde passa e você nem viu que passou", comenta.
Em entrevista exclusiva, o astro do basquete comenta a necessidade de se investir em treinamento em qualquer área de atuação. Além disso, ainda revela que foi vendedor no início de sua carreira como jogador, quando trabalhou em uma revenda de motocicletas. O recado que ele dá a esta turma? "Eu digo para os vendedores que eles têm que buscar objetivos com vontade, procurando estudar e se preparar. Esse é o grande desafio", diz. Além de palestrante, Oscar, aos 51 anos, descobriu outra vocação: a de comentarista esportivo, estando no ar, atualmente, na Rede Record.
Exclusivo - Que número você calça e como e sua relação com os vendedores na hora das compras?
Oscar Schmidt - Eu comecei calçando 45 e hoje já calco 50. Mas não foi meu pé que aumentou, e sim os sapatos que diminuiram de tamanho (risos). Hoje em dia, comprar sapato para o meu pé até que é moleza. Antigamente era um problema. Há 20 anos atrás, eu estava na Europa e percebi que lá era mais fácil, tinha até mesmo lojas especializadas. Naquela epoca eu tinha que mandar fazer os tênis ou jogar de All Star americano. Hoje, já acho sapatos em lojas como a Casa Eurico, em São Paulo.
Exclusivo - Que conselho você daria para um vendedor, um sujeito que vive correndo atrás da metas?
Oscar Schmidt - Tem que pensar "eu vou vender, então vou atrás da minha meta". Eu digo para os vendedores que eles têm que buscar objetivos com vontade, procurando estudar e se preparar. Esse é o grande desafio. Pouca gente sabe, mas eu vendia motos enquanto jogava no Sírio (clube paulista). Queria ganhar dinheiro e pedi um emprego. Eu já era da seleção brasileira e tinha sido campeão mundial interclubes em um Ibirapiera lotado. Eu ia para escola de manhã, de tarde eu trabalhava e à noite ia para o treino. As pessoas chegavam na revenda e eu estava lá, vendendo moto. Elas diziam 'Poxa, Oscar! Você é campeão mundial e tá aqui vendendo moto'. Me davam os parabéns e em seguida me pediam um autógrafo, tiravam foto e não compravam! Não vendi uma moto sequer (risos)!
Exclusivo - Como você descobriu que tinha talento para falar e que tantas pessoas tinham interesse no que você tem a dizer?
Oscar Schmidt - Não fui eu que descobri, os empresários é que descobriam por mim (risos). Na verdade, surgiu por acaso. Eles me convidaram pra fazer a primeira palestra, que eu fiz muito mal. Convidaram pra fazer a segunda, e também fiz mal. Depois veio a terceira, que foi ruim também. Na verdade, hoje eu vejo que eu é que achava ruim. Aos poucos eu fui melhorando e quando parei de jogar resolvi me dedicar mais a isso. Me envolvo em tudo, desde a própria estrutura até a interpretaçãO e a revisão dos temas. Não é tão simples como parece montar uma palestra voltada para líderes. Afinal, não basta só contar a minha experiência. Nas palestras que eu faço no Brasil inteiro eu abordo cinco valores essenciais para vencer, que são visão, decisão, time, obstinação e paixão. Falo sobre estes tópicos em cima das minhas experiências e as pessoas acabam usando para a vida delas. A minha vida foi marcada por muito sacrifício, mas sempre baseada na alegria.
Exclusivo - Na sua opinião, porque o esporte forma líderes tão importantes, como você, o Bernardinho (do vôlei) e o Felipão (do futebol), por exemplo?
Oscar Schmidt - O Bernardinho não era líder como jogador, mas virou como técnico. Às vezes, você está no lugar errado para ser líder. Como jogador, ele era reserva e sem potencial nenhum para ser um líder. Como treinador, descobriu-se esse líder incrível que todo o mundo conhece. Muitas vezes, as pessoas não sabem porque não têm sucesso e esquecem de se preparar. As chances são poucas na vida, mas muito poucas. Se você estiver preparado, você pega a oportunidade. Se não estiver, o bonde passa e você nem viu que passou. Isso acontece com todo o mundo. Muitos atletas perdem um torneio simplesmente porque não se prepararam. Preparação é fundamental.
Exclusivo - Qual a principal mensagem para quem quer atingir seus objetivos, sejam eles quais forem?
Oscar Schmidt - Treine bastante, muito, exageradamente. Quando estiver cansado, mas bem cansado mesmo, aproveite para treinar mais um pouquinho. Esse pouquinho é que vai fazer a diferença, seja qual for a área que você atue. Acredito que o sucesso pode ser obtido através de repetição, em qualquer setor. Você repete tanto que chega ao ponto de aquilo ser algo normal. Digo que é como dirigir um carro, em que ao mesmo tempo conversamos com a pessoa ao lado, vemos quem está atravessansdo a rua, falamos no telefone... Quanto mais praticamos, mais ficamos melhores.
Exclusivo - Qual a importância do trabalho em equipe para o sucesso?
Oscar Schmidt - Tudo gira em torno do trabalho em equipe. Mesmo as atividades individuais são, na verdade, em equipe. Nem mesmo um nadador, que nada contando azulejo de cabeça pra baixo, pode ser considerado um atleta individual. Ele tem uma equipe, como treinador, preparador físico, médico... Dificilmente temos uma atividade onde o que importa é somente você. Geralmente vencemos e superamos todas as dificuldades em conjunto. O esporte coletivo é o maior exemplo, pois se vence ou se perde dependendo dos companheiros.
Exclusivo - E onde entra a disciplina?
Oscar Schmidt - Disciplina é a coisa mais importante da vida. Se você descobrir que está fazendo aquilo que gosta e ainda tiver disciplina, está fadado ao sucesso. Existem duas maneiras de se vencer na vida, geralmente, sem pensar nas exceções. Ou você se sacrifica muito e renuncia uma porção de coisas ou faz picaretagem. O bom do esporte é que você vence porque efetivamente se sacrifica. Não dá pra ter picaretagem. Por isso que o esporte é tão bonito. Não adianta ser filho de ninguém e nem herdar o dinheiro do pai.
Exclusivo - Trabalhar focado em metas é um caminho para o sucesso?
Oscar Schmidt - Você tem que descobrir o que gosta de fazer. Por exemplo, muitas vezes, o sujeito nem alto é e quer jogar basquete. Por gostar tanto do esporte e ter força, disciplina e treinar demais, ele vence mesmo sendo baixinho. Existem inúmeros casos assim. Ao mesmo tempo, tem jogadores altos que só jogam porque são altos e ganham dinheiro. Esses nunca vão ser excepcionais. o esporte hoje virou um negócio que não se imaginava. Há muito dinheiro envolvido e muita pressão por resultado. Muitos atletas jogam só pra isso.
Exclusivo - Que visão é preciso ter para se alcançar os objetivos?
Oscar Schmidt - A visão de saber que eu preciso treinar muito pra ser um bom jogador de basquete. Tem gente que confunde sonho com visão. Se se eu ficar sonhando, não vai acontecer nada. Ter visão é saber que realmente você precisa se dedicar muito para ser bom. Além disso, é necessário ter coragem de decidir bem, mesmo errando. Quem não decide não vai vencer porque é preciso tomar atitudes. Minha vida foi sempre assim, tomada por decisões. Fui treinar na Europa, fui para São Paulo, depois trabalhar na Globo, na Record.