Encarando a vida de uma maneira mais leve, com tempo um pouco menos corrido, e estando, de certa forma, mais livre para fazer o que tiver vontade, a terceira idade - que se inicia aos 60 anos - chama cada vez mais a atenção dos lojistas como consumidores em potencial. Diferente que se pensa, a grande maioria dos integrantes desta faixa etária costuma ter hábitos de consumo semelhantes aos dos mais jovens, porém com mais autonomia. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Somatório (Santana de Parnaíba/SP) apontou que 81% dos entrevistados neste período da vida se declarou totalmente independente para as tarefas cotidianas como ir ao shopping, por exemplo. De acordo com o estudo, 30% - dos quais a maioria feminina (36%) - informaram que vão às compras, porém, com uma frequência menor do que a da população mais jovem.
Leia também: 'Clientes da terceira idade merecem abordagem especial'“Estes consumidores esperam que o atendimento tenha foco na sua jovialidade. Eles desejam se sentir saudáveis, produtivos e independentes”, afirma o consultor sênior do Instituto MVC(São Paulo/SP), Cláudio Goldberg. Segundo ele, a equipe de vendas deve ter uma linguagem corporal e oral de acordo com este perfil. Outro ponto abordado pelo especialista e que, segundo ele, precisa ser considerado é a demanda pela comodidade e conveniência. Para ele, ações voltadas para esta finalidade podem ser oferecidas sob a forma de prestação de serviços customizados. “A melhor estratégia para agradar à geração baby-boomers (pessoas que nascem em períodos onde o coeficiente de natalidade cresce de forma acentuada e anormal) é praticar o modelo de promoção integrada compacotes de produtos e serviços”, completa, destacando que um número imenso de ofertas e produtos sob o mesmo teto pode acabar confundindo mais do que ajudando na decisão de compra.
Além das características como sinalização e iluminação favorável, as lojas devem apresentar os produtos de forma clara. De acordo com Goldberg, ao contrário do que o varejo costuma apresentar a fim de conquistar o público mais jovem, através de vitrines mal iluminadas e partes internas com visual inusitado, as lojas voltadas para os consumidores da terceira idade devem ter corredores mais largos e informações (como preços) claramente visíveis e instrutivas. “A principal característica das lojas do futuro será a capacidade de orientar os consumidores de mais idade a encontrar soluções e não apenas produtos”, comenta.
Para o mestre em administração de empresas, professor da Universidade Mackenzie (São Paulo/ SP), Marcos Morita, as lojas brasileiras ainda estão muito aquém do esperado no quesito adequação para receber este tipo de consumidor. “Em lojas de roupas e acessórios há seções para bebês, crianças, homens, mulheres e nenhuma para a melhor idade”, comenta. Segundo ele, um dos problemas mais frequentes enfrentados pelos idosos é a leitura dos preços. Etiquetas muito pequenas, ou leitores de barras, que inclusive podem causar certo constrangimento entre os idosos que não conhecem o seu funcionamento, podem acabar com a venda e com uma possível fidelização de clientes.
Outros fatores como pouco espaço para experimentação dos produtos e araras apertadas que impossibilitam a passagem também são grandes obstáculos para estes consumidores. “Acredito que os conceitos do varejo moderno vem de encontro a este tipo de público”, diz a consultora organizacional e sócia-proprietária da Aliar Consultoria e Desenvolvimento Ltda (Caxias do Sul/RS), Rosani Coelho. De acordo com ela, uma boa área de circulação, produtos fáceis de serem encontrados, prateleiras mais baixas ou bancadas que facilitem o acesso ao produto, etiquetas com letras maiores, favorecendo a leitura são boas sugestões para os lojistas. “O cliente precisa se identificar com o ambiente, suas cores, iluminação, som ambiente. Ter informações disponíveis sobre o produto e interagir comomesmo é um diferencial”, completa.