Com a dinamicidade do mercado de moda, o que era uma tendência passou a ser uma prática usual. A antecipação de apresentação de coleções e as feiras de pré-lançamentos caíram no gosto dos lojistas e exigem cada vez mais preparação dos fabricantes. Para o diretor comercial da Calçados Piccaddilly (Igrejinha/RS), Marlon Martins, eventos como estes são importantes também para a indústria, que pode ter uma resposta mais segura do mercado sobre o nível de aceitabilidade da coleção. “Assim podermos apostar mais firmemente nas tendências que estaremos apresentando e fazer alguma correção de percurso”, afirma. Segundo ele, a antecipação de lançamentos é um fato concreto, pois lojistas e consumidoras estão ávidos por novidades a cada instante. E, cada vez mais, quem trabalha com qualquer segmento ligado à moda terá que ser mais ágil nas mudanças e apresentações de novos produtos.
Leia também: 'Antecipação de lançamentos como questão de sobrevivência'Para o diretor de marketing da Calçados Via Uno (Novo Hamburgo/ RS), Paulo Kieling, esse movimento se fortaleceu nos últimos quatro anos. A necessidade de estimular o consumo obrigou lojistas a terem nas vitrines, com antecedência, artigos capazes de causarem o desejo de compra junto aos consumidores. Nesse cenário, ter dois ou três lançamentos de coleções por ano se tornou inviável. “Essa foi uma demanda que partiu do varejo que precisa de novidades no ponto-de- venda e a cadeia como um todo se adequou”, diz Kieling. No entanto, ele destaca que hoje é mais simples realizar esse tipo de antecipação. “A globalização trouxe vantagens e é possível estar conectado aos escritórios de design de todo o mundo. Cabe a empresa ser arrojada e saber interpretar essas novidades e repassá-las ao mercado”, frisa. Como vantagem prática desse processo, Kieling afirma que as empresas que perceberam antes essa mudança de mercado saíram na frente e fortaleceram ainda mais suas marcas.
Esta mudança no processo entre fabricantes e lojistas tem gerado uma nova alteração no ciclo entre um lançamento entre outro. As novidades frequentes são obrigatórias a cada empresa. Mesmo que haja uma antecipação, ainda há a necessidade de outras novidades durante os lançamentos. Uma das consequências direta desse movimento, e que surte um impacto direto junto às empresas fabricantes, diz respeito a opção que algumas redes de varejo têm tomado de sequer realizar reposições de coleções e atuar somente com lançamentos.
O analista de comunicação da Klin (Birigui/SP), Dênis Nalon, diz que a empresa aposta na apresentação exclusiva para lojistas antes dos lançamentos oficiais. Essa fórmula tem proporcionado à empresa testar a coleção e realizar pequenas correções, já que o lojista possui informações importantes sobre o comportamento do consumidor no ponto-de-venda e é capaz de identificar alternativas. No entanto, conseguir atender aos anseios por novidades do mercado obriga a um trabalho muito planejado por parte dos fabricantes. “É um verdadeiro desafio esse processo constante de antecipação”, resume.
Martins destaca que o segredo para obter sucesso nos eventos de pré-lançamentos passa pela compreensão do que realmente será uma ‘moda coletiva’. “Ou seja, produtos que realmente absorvam a segurança da compra pelo nosso parceiro lojista e o encantamento das nossas consumidoras, tendo os elementos da estação espelhando o novo e o moderno”, frisa. O diretor comercial da Piccadilly afirma que, embora invista em eventos de pré-lançamento, como o SICC (Salão Internacional do Couro e do Calçado) - que ocorre de 1º a 3 de junho, em Gramado/RS - a empresa ainda reserva uma parte para a Francal, que acontece de 5 a 8 de julho, em São Paulo/SP.