Economia
Crise grega deixa mercados financeiros em alerta
Publicada em 7/5/2010
Svilen Milev/SXC

O euro teve sua maior desvalorização em relação ao dólar em 14 meses.
A cidade de Atenas voltou à normalidade nesta sexta-feira (7 de maio) depois de dois dias de violentos protestos, mas a crise da dívida grega manteve o nervosismo nos mercados financeiros, ainda não convencidos de que um pacote milionário de ajuda à Grécia evitará o contágio a outros países da zona do euro. Uma prova desta falta de convicção foi a rentabilidade dos títulos soberanos gregos para 10 anos, que disparou hoje até 12,40%, com um diferença de 962 pontos básicos em relação ao Bund alemão.
Além disso, o euro teve sua maior desvalorização em relação ao dólar em 14 meses, abaixo de US$ 1,27, devido ao ambiente negativo geral nos países usuários da moeda europeia em relação à dívida. As bolsas de todo o mundo funcionaram como termômetro da guerra de nervos, o que se refletiu em fortes baixas, em alguns casos difíceis de explicar com os fundamentos econômicos dos países cujos mercados se viram mais afetados.
Plano
A tumultuosa aprovação pelo Parlamento grego ontem de um plano de austeridade de três anos, com uma economia de 30 bilhões de euros, graças a maioria absoluta do Governo socialista, era imprescindível para a liberação da ajuda de 110 bilhões de euros que virão dos cofres do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos países da zona do euro.
As características da assistência serão discutidas hoje em Bruxelas em reunião extraordinária de chefes de Estado e Governo da zona do euro, que podem também debater um futuro cumprimento mais rígido dos critérios que regem os membros da moeda única.
A dívida grega, de mais de 270 bilhões de euros, cerca de 115% de seu Produto Interno Bruto (PIB), suscitou sérios temores sobre uma quebra do país. As informações são da Agência EFE.