O modelista da Juçara Viríssimo (São João Batista/SC), Eduardo José Peixer, explica que as pesquisas de moda da empresa são realizadas, principalmente, em viagens, através de visitas em feiras internacionais e Internet. Além disso, Peixer revela que a empresa busca referências em lojas que estão “vendendo mais”. “Aproveitamos as tendências pesquisadas e fizemos as devidas adaptações aos nossos conceitos exclusivos’’, explica. Segundo Peixer, a empresa, que conta com as marcas Juçara Viríssimo e Geoff, investe altas quantias nessas pesquisas. “Fizemos uma observação durante as viagens internacionais e depois confirmamos através da internet e de outros canais de comunicação’’, conclui o modelista.
Leia também: 'Obras de arte da pluralidade calçadista'Outra tradicional fabricantes de calçados femininos, a Werner Calçados (Três Coroas/RS), investe forte em pesquisa de moda. Segundo o estilista da empresa, Eduardo Todin, uma das vertentes mais importantes deste apanhado de tendências é a viagem para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde se registram o que mais aparece nos pés das mulheres. Depois disso, são realizadas viagens também para a Europa, como forma de confirmar o já visto. “Outra forma são as revistas e os sites de moda que nos dá na frente os desfiles e também tudo que vai acontecer antes das vitrines’’, aponta Todin, ressaltando que este se constitui no meio mais rápido, "pois parte da minha coleção, como a cartela de cores, alguns couros, tecidos e estampas já faço antes de qualquer viagem’’. Ele revela que a interpretação das mais diversas formas de arte também é fundamental no seu trabalho. “Tudo é interligado com a moda’’, acrescenta.
Todin destaca que o desafio de se criar uma identidade de moda brasileira não parte somente do estilista nacional, mas também da perda gradual do conservadorismo dos lojistas brasileiros. “Muitos lojistas hoje viajam para os mesmos países que nós vamos fazer a pesquisa e, então, quando tentamos criar algo diferente, alguns têm um certo receio, pois não foram estes modelos que eles viram lá fora’’, lamenta o estilista, salientando que, certas vezes, os profissionais se veem “quase obrigados’’ a copiar os mesmos modelos dos grandes estilistas da Europa.
Sebrae salienta apoio a pequenos industriaisO Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem apoiado constantemente as indústrias de menor porte em pesquisas de moda. Para tanto, apoia iniciativas como o Fórum de Inspirações da Assintecal, que percorre o Brasil com palestras sobre tendências e macro tendências de moda. As pesquisas são realizadas pelo estilista Walter Rodrigues através de viagens internacionais e também dentro do País que podem ser consideradas “estudos antropológicos”.
Para o supervisor do Sebrae nos Vales do Caí, Sinos e Paranhana, no Rio Grande do Sul, Marco Copetti, atualmente existem muitos canais de informações para acessar as tendências de moda em qualquer parte do mundo. “A pequena indústria tem procurado informações e orientações através de canais de comunicações diversos, principalmente, Internet”, comenta. Ele ressalta que a entidade também proporciona consultorias em design através de profissionais abalizados, de acordo com a necessidade particular de cada empresa. “Buscamos orientar o empresário a partir de sua realidade”, afirma.
Copetti avalia que o calçadista brasileiro ainda não despertou para um trabalho mais forte em termos e moda. “Infelizmente, o que vemos em pesquisas, é o tradicional copia e cola”, lamenta. Segundo ele, o empresário precisa encontrar um nicho específico e focar seu trabalho nele, levando em conta toda a pluralidade social da contemporaneidade.