Em um mercado cada vez mais concorrido e dinâmico, torna-se primordial que os empresários estejam sempre atualizados a respeito das macro tendências e tendências mundiais. Mas pesquisar é bem diferente de copiar exatamente calçados em solo brasileiro, o que é ainda muito usual na indústria nacional. Profissionais da moda e consultores avaliam o cenário da moda brasileira e apontam caminhos para pesquisas eficazes e com menor custo possível.
Leia também: 'Estilistas revelam a importância das pesquisas de moda'Conforme o coordenador do Núcleo de Tecnologia e Design do Senai/ SP, Julius Pimenta, a primeira atitude da indústria que se pretende ser original em termos de moda e inovação é a capacitação dos seus profissionais responsáveis pelas criações. “Viagens, tanto para o exterior como no próprio País, são fundamentais para se fazer um levantamento das tendências. Além disso, elas podem ser feitas através de veículos especializados”, comenta o coordenador, revelando que o Senai acaba de terminar um circuito pelas principais feiras europeias com esse objetivo.
O profissional avalia que o Brasil, apesar de todas as potencialidades, não criou uma moda genuína, com raras exceções representadas por empresas voltadas para o luxo e alto design. “Infelizmente, são muitas cópias sem originalidade alguma, mas sentimos que o empresariado está se conscientizando e investindo na criação de uma moda própria e, gradualmente, adaptando tendências internacionais à cultura local”, explica. Ele acrescenta que é uma questão comercial, pois o mercado está cada vezmais plural e em busca de identidade.
Para investir forte em moda, Pimenta aconselha o empresário, em primeiro lugar, capacitar sua equipe com profissionais não só especialistas em desenho de moda, mas que saibam interpretar os códigos visuais e tenham cultura geral. “Eles devem conhecer o mercado e ter uma noção forte de semiótica”, enfatiza Pimenta, lembrando que os mesmos não podem, de forma alguma, somente espelhar o que pesquisam no exterior e sim elaborar adaptações à geografia e cultura locais. “Por isso, a minha sugestão para os empresários que querem sobreviver nos mercados interno e externo é só uma: capacitação”, afirma, ressaltando que esteve na Micam e as poucas indústrias brasileiras satisfeitas, segundo ele, foram as que traziam originalidade e identidade de moda nos seus produtos.
O Senai/SP conta com material de apoio para empresários interessados em pesquisas de moda. Duas vezes por ano são lançados cadernos de tendências que são distribuídos, gratuitamente, para o setor. “Também contamos com estudos personalizados, pelos quais são cobrados valores dependendo da profundidade da pesquisa”, explica. No momento estão disponíveis cadernos com tendências do verão 2011 e, em setembro, deve ser lançado o caderno com as pesquisas de inverno.
IDENTIDADE - A Associação Brasileira de Estilistas de Calçados e Afins (Abeca) é outra entidade fundamental para o empresário que quer estar por dentro da moda, mas que não tem condições financeiras para patrocinar grandes pesquisas de campo. A entidade apresenta ao setor calçadista, semestralmente, o Guia de Moda e a Cartela de Cores, ambas com as informações de tendências de moda e cores. Os materiais de recebimento exclusivo dos associados daAbeca, são os informativosdaassociação,Conexão Abeca, Diário de Bordo, além de informações que possam auxiliar o desenvolvimento das coleções.
Michelle Hennemann, estilista e assistente de Pesquisa de Moda da Abeca, revela que os levantamentos são feitos através de pesquisa macro na Europa, viagens internacionais, revistas de moda, books de 'bureaux' de moda, principais marcas mundiais, vitrines e sites específicos para pesquisa de tendências e estilos.