Moda
Entrevista: Fernando Pires, estilista
Publicada em 26/11/2009 - Silvia Kröff/Revista Lançamentos
Divulgação

Conhecido como arquiteto dos pés, estilista é fetiche de celebridades
Reconhecido por seus calçados arrojados, objetos de desejos das mulheres que gostam de modelos diferenciados e saltos altíssimos, Fernando Pires hoje está acessível a todos os bolsos. Sua nova linha - chamada 'Fernando Pires Chic' - já está à venda nas butiques de todo o Brasil. Formado em Arquitetura e Urbanismo em 1976, viu seu destino mudar em 1982, quando acompanhava um projeto de sede de uma fazenda no interior de São Paulo: sua cliente percebeu seu interesse por moda e sugeriu a ele a criação de sandálias para comercializar no litoral. Surgiu, então, a Ponto de Apoio, loja de calçados e acessórios.
No final de 1989, com o fim da sociedade, veio a vontade de voltar à arquitetura. Mas, graças a seus ex-funcionários, que o convenceram a dar continuidade ao seu trabalho na área calçadista, nasceu a marca Fernando Pires. Em 1990, o estilista entregou-se de vez à sua verdadeira vocação e, desde então, em vez de viver em meio a cimento e concreto, desenha e constrói calçados e sandálias sem deixar de lado sua formação. Não a toa, é conhecido como o 'arquiteto dos pés'.
Em 1991, Pires inaugurou a primeira loja com sua grife, em São Paulo/SP, tendo Cláudia Raia como madrinha e Hebe Camargo assinando embaixo. De lá para cá, várias estrelas passaram a calçar seus sapatos, seja no teatro, nas novelas e na vida real, sem contar os editoriais de moda em diversas revistas nacionais. O designer caiu até mesmo nas graças inclusive da cantora pop Madonna, que, em 1993, passava pela capital paulista com sua turnê 'The Girlie Show'.
Para que tipo de mulher você cria?
Crio sapatos para aquela mulher que sabe que o sapato é seu melhor amigo.
Qual sua opinião sobre a produção de calçados femininos no Brasil? E a de bolsas
A produção de calçados no Brasil, a industrial, está voltada, a meu ver - e perfeitamente compreensível -, para o comercial, de olho nas fórmulas que já deram certo nas coleções de fora. Falta criatividade, falta criar um produto legítimo, que tenha identidade da marca. Quanto à produção de bolsas, percebo que andou mais nesse sentido e vem crescendo o número de marcas novas a cada ano.
Como é ser o queridinho de várias celebridades?
É um deleite ver meus ídolos usando meus sapatos e orgulhosos por estarem calçando um Fernando Pires.
Como vê a consumidora de calçados no Brasil?
A consumidora é bastante compulsiva, o que já é normal nas mulheres. É uma verdadeira obsessão por sapatos. Culpa da Cinderela!
O que não pode faltar em um sapato e em uma bolsa?
Indubitavelmente, o que não pode faltar num sapato é o conforto da forma e, claro, um bom salto alto. Nas bolsas, penso que é a praticidade.
A mulher, para ser elegante, precisa estar sempre de salto? Por quê?
A elegância de uma mulher independe de um acessório, vem de dentro para fora. Mas é claro que um belíssimo salto sempre ajuda, desde que essa mulher pise com elegância.
A apresentadora Hebe Camargo é sua fã declarada desde muito tempo. Como vê essa fiel ligação entre consumidora e criador?
Eu traduzo isso como amor à primeira vista, é para sempre. E é recíproco. Não temos nenhum compromisso comercial, é tudo espontâneo e verdadeiro.
Quantas lojas possui e onde estão localizadas?
Hoje, apenas a matriz, em São Paulo/SP. A crise me forçou a não manter a loja de Porto Alegre/RS, aberta em 1995, e a de Vitória/ES, aberta em 2003. Foram fechadas no início de 2009.
Quais são os seus projetos para os próximos anos?
Colocar a nova linha 'Fernando Pires Chic' no maior número possível de cidades, para que todas as pessoas que desejam ter um Fernando Pires tenham acesso fácil. Quanto à primeira linha, pulverizar em alguns pontos-de-venda pelo mundo afora.
Fale sobre seu novo produto e onde é vendido.
'Fernando Pires Chic' é um sapato em que o conceito Fernando Pires de sapato é mais diluído - não lança mão de detalhes que possam encarecer o produto. Tem produção terceirizada e mecanizada, mas mantém o DNA da marca. Ainda é um desafio para mim, que estava acostumado a total liberdade nas construções. Agora tenho limites para equacionar a fim de que possa ser feito em escala industrial. Está à venda em butiques de sapatos espalhadas por todo o Brasil.
A que público exatamente se destina esse produto?
Destina-se àquela mulher que deseja ter um autêntico Fernando Pires acessível a todos os bolsos. E creio que logo teremos um 'Fernando Pires Chic' com sua identidade própria.
O que o levou a investir nesse nicho de mercado?
Tudo começou no início de 2008, ao lançar a primeira coleção de bolsas pelo licenciamento com a Choice Bag, com o resultado espantoso de vendas para um público que eu nunca havia atingido antes, a não ser pelo desejo de ter um Fernando Pires. De lá para cá, vim amadurecendo essa ideia e 'Fernando Pires Chic' nasceu, coleção primavera-verão 2009/10.
Onde buscou inspiração para criar esse novo produto?
Nas minhas criações já consagradas, e confesso que não é fácil pensar de uma forma em que não tenho limites e noutra que tenho que atentar para vários limites. Mas creio que logo estarei íntimo desse novo processo em minha vida.
Quais são os tipos de materiais que está utilizando nesse novo produto?
Utilizo um mix de couro, tecido, peças em resina, solado pré-fabricado e todas as facilidades da produção mecanizada.
Por que o nome Fernando Pires Chic?
Chic simplesmente por ser uma palavra de fácil assimilação e que é igual em qualquer parte do mundo.
O público está preparado para receber esse novo tipo de produto? Por quê?
Mais do que preparado, ansioso. Simplesmente porque foram 19 anos criando o desejo através de modelos que enchiam os olhos dessas pessoas a cada vez que viam um desfile Fernando Pires na televisão.
E sua coleção de acessórios?
Na primeira linha Fernando Pires, tenho apenas algumas poucas carteiras para festas. No segmento licenciamento, com a Choice Bag, vem crescendo bastante de coleção para coleção - já estamos na quarta edição. É muito bom poder ver minha marca atingindo todas as camadas, democratizando, assim, o que antes era acessível a uma elite.