Elas têm tempo de percorrer lojas, vasculhar prateleiras e conferir novidades. Adoram encontrar um produto novo dentro de suas expectativas. Confessam que compram por impulso e oportunidade. E simplesmente amam presentear seus netos. Assim são as avós modernas. Muitas delas trabalham fora, mas não têm mais a correria na rotina porque já criaram seus filhos e hoje desfrutam da companhia dos netos.
Leia também: 'O poder de compra dos avós'A advogada Susana Prade é um exemplo. Aos 58 anos, é avó da Georgia, 2 anos, filha de sua filha mais velha, Tatiana. Para presentear Georgia, ela admite que compra de tudo, sempre, e é uma compra de oportunidade. “Se acho bonito, confortável e o preço é bom, eu compro.” Susana tem um gosto diferente de Tatiana para as roupas e calçados de Georgia. “A mãe compra sandália de lacinho, compra o que é bonitinho. Eu compro um ‘sandalião’, pra ela correr e brincar, escolho roupas mais confortáveis, de malha.”
Como avó, ela acredita ter mais tempo do que os pais para olhar as lojas, pesquisar, e avalia que os produtos para crianças - além de caros, em sua opinião - deveriam ser mais preocupados com a segurança. “Poderiam ter mais calçados com frente mais larga, com tiras que envolvam bem os dedos, ao invés de tiras finas ou chinelinhos”, exemplifica. “Me preocupo mais com essa questão do que a minha filha”, analisa a avó.
O perfil de Susana corresponde ao que o consultor de marketing Arnaldo Rabelo (Birigüi/ SP) define como “adulto maduro”. Especialista no mercado infantil, ele realiza pesquisas de comportamento de consumo e avalia que o estereótipo atual do idoso não condiz mais com a realidade. “O idoso é ativo, participativo, consome. Não é mais a avó que passa o dia tricotando, nem o avô aposentado que fica sempre de chinelos. Eles são joviais”, diz Rabelo.
Apesar da população estar envelhecendo (segundo estudos da Organização Mundial da Saúde, em 2025 haverá uma estagnação no número de nascimentos e um equilíbrio com o número de idosos), o consultor vê que o mercado ainda não está alerta para este novo idoso. “Em breve, a população de adultos maduros será numerosa, mas formada por um público de novo perfil, pouco trabalhado pelo mercado, e que quer ser visto por sua personalidade jovial e ativa”, comenta.
ATENDIMENTO - Quando a avó vai às compras, às vezes a criança vai junto e esta é a melhor situação, na opinião de Arnaldo Rabelo, já que a chance de errar na escolha do produto cai drasticamente. No entanto, este atendimento requer do vendedor a habilidade de se relacionar com mais de um “cliente” na mesma venda. “O vendedor atende o adulto, mas precisa pedir a participação da criança e provocar seu envolvimento”, diz. Na hora de provar, vale lembrar que o calçado não pode ser extremamente justo, já que o pé altera a dimensão no caminhar. “A criança precisa andar na loja e se sentir confortável, sem que o sapato saia do pé e nem aperte”, informa Rabelo.
Uma vez escolhido o(s) produto(s), no momento de tratar preço e pagamento é recomendável que exista uma área para que a criança possa brincar. “Essas informações não são do interesse da criança”, diz o consultor, ressaltando que caso não encontre espaço para se entreter, a criança pode ficar sem paciência e insistir para ir embora, frustrando a transação. “Lojas que têm produtos para criança precisam ter áreas para ela se distrair um pouco. Quanto mais tempo o adulto ficar na loja, mais produtos vai comprar”, sentencia o especialista.
Segundo ele, a loja deve ser pensada para ser um lugar onde a pessoa passe uma experiência divertida, marcante, e no caso infantil, com áreas de lazer, nichos dedicados a personagens e com técnicas para envolver a criança no processo de compra. E mesmo que as pesquisas apontem que a participação de pais e avôs nas compras seja baixa, pode ser interessante ter um ponto para ele aguardar, tomar um café, ler uma revista, passar um momento agradável. Assim, um passeio em família torna-se um programa de compras prazeroso e a boa experiência de consumo fideliza o cliente.