| Notícias - Comércio | Publicada em: 19/10/2009 | ||||||
Crianças banhadas em bits e bytes
Expressão cunhada em 2007 por Marc Prensky, pensador e desenvolvedor de games, o termo nativos digitais designa aquelas pessoas nascidas a partir de 1980. É toda uma geração que vem se 'banhando em bits e bytes', mesmo os mais velhos, hoje com 29 anos. "Tome por base que estes, na virada do milênio, estavam perto dos seus 20 anos – e já respiravam internet e meios digitais", explica o autor de livros como "A Inovação Vencedora do Varejo" e idealizador da comunidade Redondo, que busca compreender a nova sociedade digital, Volney Faustini (São Paulo/SP). No Brasil, em 2008, 36% da população tinha entre 12 e 32 anos (chamada Geração Net), representando 68 milhões de pessoas, e 22% entre 0 e 11 anos (Pós Geração Net), o que significa 42 milhões de pessoas. Esta geração passou por etapas importantes de seu desenvolvimento imersa na realidade virtual através de blogs, mensagens SMS, games, MSN, entre outros. Elas possuem valores, pensamentos e velocidade de informações sem igual. Na condição de imigrantes, quem nasceu antes da década de 80 sempre terá suas raízes no passado, e precisará tentar compreender esta geração que desconhece o mundo sem a internet, pois nasceu praticamente junto com ela. O especialista em Design Instrucional para Educação à Distância On Line, mestrando em Tecnologias da Inteligência e Design Digital e autor do blog www.nativosdigitais.org/blog, José Erigleidson da Silva (São Paulo/SP), explica que as especificidades deste público decorrem da sua íntima relação com as tecnologias digitais interativas que se popularizaram nos últimos anos, como os games, celulares e computadores. "Eles adquiriram um padrão de comportamento diferente das gerações anteriores. Portanto, são consumidores diferentes", sublinha. Eles criam, conversam, pesquisam, paqueram, aprendem e se divertem on line; são capazes de processar várias tarefas ao mesmo tempo (multitarefa); preferem as imagens ao texto; acessam a informação de forma randômica, ou seja, não são lineares. Silva ressalta que eles possuem um espírito explorador, aprendem por descoberta; comunicam-se pelo MSN e articulam-se socialmente por meio das diversas redes sociais. "Acostumados com a velocidade das tecnologias digitais, eles apreciam respostas rápidas e recompensas imediatas. Por isso, ele esclarece que estamos lidando com um consumidor diferente e, portanto, estratégias diferenciadas devem ser adotadas. "É fundamental que as empresas e profissionais de comunicação percebam essas características de forma muito clara, pois possivelmente terão que rever suas estratégias de produção, comercialização e comunicação para lidar com esse novo perfil de consumidor", sentencia. Faustini comenta que um estudo do norte-americano John Naisbitt, especialista na previsão de tendências globais, identificou uma nova plasticidade nos cérebros das crianças, onde o mundo exterior delas é vivo e estimulante. "Isso acaba definindo o jeito diferente das crianças de modo geral: preferem descobrir por conta, se sentem realizadas em explorar novos mundos e os instrumentos digitais, são mais rápidas e imediatistas, são mais criteriosas com as promessas, são exigentes quanto à coerência e postura e gostam de múltiplas funcionalidades em seus aparelhos. Fazem várias coisas ao mesmo e, se questionadas o que estão fazendo, respondem: ‘nada’!", brinca. Lia Nara Bau/Jornal Exclusivo Veja mais novidades em nosso canal de Comércio | |||||||
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